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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sem tempero, Ford EcoSport agrada pela funcionalidade

SUV compacto reúne qualidades que, na próxima geração, devem se juntar à sofisticação

Rodrigo Mora | 9/10/2010 08:26:00

O EcoSport é o típico exemplo de carro que toda montadora quer ter. Custou pouco para fazer, teve sucesso ao longo da vida e agora se tornará um produto global. O sucesso foi tanto que chamou a atenção da matriz da Ford, que liberou R$ 500 milhões em investimentos para que a próxima geração seja fabricada em Camaçari, na Bahia.
Mas antes que o utilitário passe por uma transformação total, em meados de 2012, a Ford lhe aplicou mudanças discretas, que ao lado da garantia de três anos e da lista de equipamentos incrementada farão com que o EcoSport se mantenha no topo das vendas como nos últimos anos – logo em 2003, no seu primeiro ano cheio de emplacamentos, o jipinho alcançou a segunda colocação no ranking de comerciais leves, ficando atrás somente da Fiat Strada. Em 2004, 2005 e 2006 foi o líder, enquanto nos últimos três anos voltou a ocupar a segunda colocação, nunca vendendo menos do que 40.000 unidades por ano. Neste ano, com cerca de 28.000 emplacamentos, só perde para Strada, VW Saveiro e Chevrolet S10, que também tem os frotistas como clientes.
Bom de espaço, ruim de acabamento
A discrição aplicada no exterior – uma discutível plaqueta com o nome do carro estampada no capô e rodas que lembram muito a do GM Vectra Elite anterior – se repete das portas pra dentro. O destaque fica por conta do painel, que tem nova grafia e “varre” velocímetro e conta-giros quando ligamos o carro. Mas velhos hábitos ainda continuam: ao repararmos no acabamento interno, sentados em confortáveis bancos, facilmente encontramos parafusos à mostra, denunciando a simplicidade na montagem da cabine. A tampa do compartimento extra no painel, que é refrigerado, é de uma fragilidade ímpar, enquanto a profusão de plásticos rústicos continua sendo uma das principais queixas contra o EcoSport. O barulho interno, no entanto, foi em boa parte resolvido.
O utilitário compacto da Ford compensa a frieza interna com bom espaço, tanto para quem vai à frente, quanto para quem senta atrás – embora lá só se encaixem confortavelmente dois adultos e, no máximo, uma criança. Há espaço para carregar muitas coisas: copos (ao lado da alavanca de câmbio e entre os bancos), carteira e celular do motorista (num compartimento do lado esquerdo do volante), óculos (no porta-objetos cravado no teto) e um iPod, abaixo dos comandos do ar-condicionado.
Exibicionista ou coerente?
Esse comprador de espírito aventureiro, que preferiu pagar R$ 60.830 por essa versão Freestyle ao invés de R$ 59.620 por um Focus 2.0 GLX, tem um carro sem graça nas mãos. O motor 1.6 flex, de até 107 cv, tem rendimento adequado à proposta do carro: é fraco em baixas rotações, mas responde bem a partir das 2.500 rpm; e é macio em velocidades de cruzeiro. Seu casamento com o câmbio curto e de engates precisos também agrada, assim como a suspensão, que absorve bem as irregularidades do piso, transferindo pouco do que acontece no solo aos ocupantes. Com acerto mais alto, nos permite passar por lombadas e valetas sem preocupação – e ao mesmo tempo não deixa a carroceria inclinar muito nas curvas.
São qualidades que, em tese, fariam do EcoSport um carro prazeroso de guiar. Mas não. O jipinho da Ford é apenas funcional, não emocionando ou envolvendo o motorista. Não cansa em viagens longas, mas também não faz o condutor sonhar com o caminho de volta, só para dirigi-lo novamente. Se trocasse o exibicionismo pela coerência, colocaria na garagem o Focus, que além de maior, encanta qualquer motorista já nos primeiros metros rodados. 
Prático, e agora mais equipado
O EcoSport continua prático. O porta-malas, por exemplo, surpreende os usuários com um porta-garrafas, útil para levar as de vidro. E para abri-lo, não é preciso primeiro soltar o suporte do estepe, como exigem VW CrossFox e Fiat Idea – preso na tampa, o pneu vem junto quando a abrimos.
Na linha 2011, o jipinho está mais equipado também. De série, há ajuste lombar do banco do motorista, alarme, chave “canivete”, computador de bordo, controle do rádio na coluna de direção, trio elétrico, faróis de neblina, rádio MyConnection, rodas de liga-leve aro 15 e volante revestido em couro. Prático e equipado, mas inseguro: ABS e airbag não existem nem como opcionais na versão Freestyle; estão disponíveis apenas nas configurações XLT e 4WD, que ficam na casa dos R$ 65.000, preço a partir do qual a Ford considera razoável oferecer a essencial dupla de segurança.
Se o que você procura é um carro mais alto, que transmita uma imagem de jovialidade e não se importa de pagar por um Fiesta maior o que vale um Focus, o EcoSport lhe servirá bem. A nova geração, no entanto, deverá reunir as mesmas qualidades, mas num produto mais moderno e, certamente, mais emocionante.

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